Atualize seu plano de dados

Quem tem certeza de onde não está no ambiente online?

Explicando melhor: desde o tempo que você desbrava pela internet, tem noção de quantos lugares já se cadastrou? De quantos perfis já criou ou quantos formulários já preencheu só para ver uma foto ou resgatar um brinde?

É, nem a gente.

Nossos dados estão espalhados pela internet, e a maioria de nós não sabe onde. Fizemos isso porque, até então, sempre tivemos monstros maiores para nos preocupar. O que é um formulariozinho com seu endereço comparado a ameaça do temido Cavalo de Tróia? Ou um inocente quizz que você precisa linkar com seu Facebook comparado ao temido vírus I_LOVE_YOU.

Crescemos numa época onde uma invasão pessoal significava perder algo físico. Um monitor, uma placa mãe ou até um computador inteiro. Talvez por isso nunca nos preocupamos com onde largamos nossos dados.

Mas não é mais assim que funciona, não é mesmo? Hoje sabemos que os dados são nossa moeda mais valiosa, a principal fonte de renda das grandes plataformas que dominam a internet. Poder oferecer clusters especializados para anunciantes é a forma que eles monetizam seus negócios, e eles só conseguem fazer isso porque tem controle dos nossos dados. Isso porque tais serviços que essas plataformas oferecem se tornaram essenciais para nossa vida. Não num âmbito físico, mas certamente em um social. Poucas pessoas podem se dar ao luxo de não terem seus dados em nenhum serviço.    

Mas é isso, né? Vida que segue?

Não exatamente.

Desde 2018, uma ideia muito simples e ao mesmo tempo muito poderosa vem ganhando tração pelo mundo: se as empresas lucram com os nossos dados, não deveríamos receber uma participação nisso? 

Essa é uma ideia chamada Dividendos de Data (com link, mas in english =/), e tem unido estudiosos, economistas e ativistas (baita grupo diverso para unir) em uma causa comum. Obviamente essa ideia tem irritado grandes nomes do Vale do Silício, afinal, só o Google angariou mais de $30 bilhões só em 2018 com a exploração de dados dos seus usuários para fins publicitários. Forçar empresas a pagarem uma taxa cortaria radicalmente esse número.

Apesar de parecer uma ideia que já deveria ter sido implementada, nem tudo são flores nesse plano. O grande consenso é que, se mal aplicada, essa ideia pode destruir a possibilidade de pequenas e médias empresas de tecnologia que trabalham com dados. Apenas as grandes conseguiriam se manter em pé com essas novas taxas, acabando com qualquer tipo de competição ou do surgimento de novos jogadores.

E no meio dessa rinha de galo que ainda vai dar muito o que falar, estamos nós, profissionais do mercado. Somos diretamente impactados pela situação num aspecto profissional e pessoal. Por um lado, sabemos da importância dos nossos dados e o quanto eles podem ser explorados com péssimos intuitos. Pelo outro, também sabemos que é justamente essa característica que permite não só as nossas entregas, mas também o acesso a material relevante de verdade por parte do público.

Todos nós temos a sorte de presenciarmos mais uma revolução digital. A anterior foi marcada pelo compartilhamento, pela ideia de que todos deveriam ter acesso a tudo. Foi uma ideia inspiradora, que buscava ampliar os horizontes do mundo. Infelizmente, por uma série de erros, irresponsabilidades e má fé, ela acabou fazendo exatamente o contrário: acabou fechando fronteiras.

Estamos testemunhando o renascimento da privacidade, em um mundo que havia praticamente abandonado ela. E isso só vai ser possível se houver uma reeducação, com a certeza de um respeito maior sobre o controle e um respeito maior sobre os dados. Tanto da nossa parte quanto da deles. É preciso estarmos na vanguarda de uma nova forma de relacionamento com nossos clientes e com nossos amigos. Nos próximos anos, não vamos seguir caminhos, vamos criá-los.   

E não seria nada mal lucrar um pouquinho com isso.

 

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