Offline: os jovens que estão abandonando as redes sociais

Também conhecido como Desplugados, o movimento de deixar ou pausar as redes sociais é uma escolha que tem cada vez mais adeptos entre os jovens.

Fala-se muito por aí dos jovens cada vez mais viciados em seus celulares, obcecados com suas infinitas redes sociais e a exposição exagerada que eles fazem de suas vidas. Mas, curiosamente, um movimento inverso vem ganhando cada vez mais força entre adolescentes e jovens adultos: o abandono das redes sociais. Muitas vezes trata-se apenas de uma pausa temporada, um detox digital, mas ainda assim choca o fato de que 64% deles, estejam abrindo mão voluntariamente de algo que já se tornou parte de suas vidas.

O Facebook é uma das redes mais excluídas e está na mira de 59% dos jovens que desejam deletar seus perfis.

Quando se fala de abandono definitivo os números caem, mas não deixam de impressionar. São 34% que pretendem deixar o mundo digital para trás de vez – e para sempre. Embora atualmente seja até difícil imaginar como viver sem redes sociais e como isso impactaria nosso relacionamento com os que permanecem ativos do outro lado da tela.

Os motivos para essa decisão variam desde o cansaço gerado o uso excessivo à pressão social e até como essas redes afetam a autoestima.

A preocupação dos jovens está longe de ser injustificada. O uso exagerado das redes sociais causa ansiedade, depressão, diminui a concentração e atrapalha o sono. Além é claro de mexer com a nossa autoestima, um fenômeno que já ganhou até mesmo nome depois de um estudo realizado pela Universidade de Copenhague: facebook envy (numa tradução literal, inveja facebookiana). Claramente um sentimento que não se restringe somente ao Facebook, mas muitas outras redes como o Instagram, apontado pelos jovens como a pior rede social para o bem-estar e a saúde mental.

Outro motivo que chama a atenção é a busca por mais privacidade. Enquanto alguns não se importam e até desejam esse tipo de exposição, 22% buscam uma privacidade que talvez nunca tenham conhecido totalmente, já que a cada nova geração, a exposição começa cada vez mais cedo, até mesmo quando ainda estão na barriga de suas mães.

A verdade é que esse movimento é uma notícia boa. Mostra que os jovens estão cada vez mais sensatos e preocupados com a própria saúde mental. Mas ignorar de forma permanente o mundo digital em que vivemos traz o risco de criar uma limitação em suas vidas que pode se tornar prejudicial a longo prazo.

Equilíbrio sempre será a melhor escolha para quem deseja conservar parte da sua intimidade, sem abrir mão das vantagens do mundo moderno. As redes sociais trazem muitos benefícios para a nossa vida se soubermos usá-las com bom-senso. E uma desintoxicação digital de tempos em tempos nunca fez mal a ninguém.

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