Quer entender os jovens no online? Fale com eles.

O tik tok e os jovens. O impacto que essas redes estão criando pelo mundo e porque as regras deles são diferentes das suas.

Você sabe qual é o meme da moda? O mais fera mesmo do momento? A resposta certa é: não, não sabe. Eu digo isso porque tenho acesso a todas as métricas de público desse maravilhoso blog que escrevo, e sei qual é a faixa etária de quem lê cada um desses maravilhosos textos. E os números não mentem, meu camarada.

Não é culpa sua. A grande questão por trás disso é: não importa o quão antenado você esteja com as tendências desse mundão de conteúdo, você simplesmente não é um adolescente.

Eu e você vivemos num mundo separado do deles. Coisa geracional mesmo. Enquanto as redes sociais que usamos para vida, trabalho e entretenimento estão se tornando cada vez mais divididas e odiosas, os adolescentes convivem num habitat único, um que a maioria das pessoas nem sabe que existe. São nesses lugares onde todo o conteúdo viral da internet nasce, cresce e morre, e nós nem estamos dentro desse ciclo. Quando o meme do momento chega até nós, ou ele já morreu há muito tempo, ou está a caminho do túmulo. É como observar as estrelas: a luz vem de tão longe e demora tanto para nos alcançar, que, quando conseguimos observá-la, ela já se extinguiu na sua origem.

Não acredita em mim? Se liga no vídeo abaixo.

 

O que você acabou de assistir foi um compilado do melhor e mais recente conteúdo do TikTok (pelo menos enquanto esse texto era escrito, dependendo de quando você ler isso, esse vídeo pode estar defasado), o app mais popular entre os jovens no momento, com mais de 500 milhões de usuários ativos no mundo e crescendo. Você já viu esses conteúdos em algum outro lugar? Não. Mas cada um desses clipes curtos tem milhares de views.

Explicando rapidamente alguns momentos importantes do vídeo. Em 2:20 você pode conferir uma das funções mais populares do TikTok, as colaborações. Basicamente você pode produzir conteúdo completando ou dando outro ponto de vista do conteúdo de outro usuário. Nos minutos 3:18, 4:49, 7:14, 7:31 e 9:14 você pode encontrar cinco tipos de memes diferentes. Esses cinco formatos tem feito bastante sucesso na comunidade do app, e existe um monte de variações para cada um deles.

Agora é a hora que eu deveria colocar um monte de números e estatísticas sobre o app, mas esse não é esse tipo de texto. O que me interessa aqui é mergulhar no aspecto psicológico e social disso tudo. Qual o motivo de um app como esse (e como o Vine e o Snapchat antes) atrair tanto esse público tão específico e difícil de alcançar? Eu acredito que tudo gira em torno de dois aspectos: liberdade criativa e senso de comunidade.  

Em se tratando de liberdade criativa, podemos ver claramente uma evolução entre os apps mais populares entre os jovens nos últimos anos: o Vine trouxe consigo a rapidez, permitindo apenas conteúdos de 6 segundos. O Snapchat, a plataforma fugaz, com data de expiração. Isso significa que os criadores precisavam estar sempre criando para continuarem relevantes. E culminando do que deu centro entre esses dois, o TikTok, que herdou o público desses apps e oferece diversas ferramentas de edição para melhorar a qualidade dos conteúdos.

Sem precisar contar com softwares e hardwares milionários ou formação profissional, o público mais jovem tem acesso a tudo que precisam para criar um conteúdo de alta qualidade. Basta apenas a ideia.

Mas e quanto aos jovens que não estão produzindo conteúdo? E quanto os que estão apenas consumindo? Bom, esse pra mim é o ponto principal de tudo. Apesar dessas ferramentas atiçarem o lado criativo, não é por causa delas que os jovens estão nesses apps. Eles estão lá por causa do segundo aspecto, o senso de comunidade.

Eu vou dar um exemplo ao vivaço aqui pra você entender o quanto esse senso de comunidade é diferente do seu e do meu. Tá pronto? Lá vai: o quão a sério você está disposto a levar uma pessoa que nasceu em 2003?

Não muito, né? E é por isso que eles apreciam tanto esse espaço. É por isso que eles defendem esse espaço de gente que quer só estudar comportamento ou de marcas que estão apenas tentando apenas atingir um público alvo. Eu estou falando de jovens de verdade. Não aquele jovem malhação que é um ator de 29 anos fingindo ter 15. Esse é um público com zero voz em mesas de jantares. É um público que não é representado corretamente nem no jornal e nem na novela.

Dentro dessa comunidade esses jovens conseguem se identificar, se sentirem representados e até construir uma carreira. Seus problemas importam ali dentro, seus sonhos e conquistas e principalmente suas ambições. Elas não estão presas ao constante fluxo de julgamento dos adultos. É onde eles conseguem ser verdadeiramente livres, e quiçá viver disso.

E é por isso que as marcas têm tanta dificuldade em entrar nessas comunidades. Porque a maioria não entende uma coisa básica: É a quadra deles. São as regras deles. Não dá pra tentar entrar no jogo deles usando as nossas regras.

Isso não quer dizer que não estamos convidados. Só quer dizer que temos que ter modos. Se você quer falar com esse público, que tal, ao invés de forçar sua mensagem, conseguir um embaixador que consiga transmiti-la? Vivemos numa época colaborativa. Vamos focar em colaborar.

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